
No período em que Gilberto Gil esteve à frente do Ministério (2003-2008), todo o conteúdo do site do Ministerio da Cultura foi licenciado em Creative Commons. Porém, no inicio de 2011 o MinC deixou de usar as licenças CC.
A Diretora de Direitos Autorais do Ministério da Cultura, Marcia Regina Barbosa, concedeu uma entrevista para a revista Info Exame (disponível aqui na íntegra), na qual justifica a retirada das licenças Creative Commons do Ministério da Cultura.
A entrevista causou perplexidade, ao trazer uma série de afirmações erradas. Para se entender o contexto, em abril de 2011 a Ministra Ana de Hollanda afirmou em audiencia no Senado que o Creative Commons foi removido porque seria “uma marquinha, uma propagandinha de um serviço que uma entidade promove” e que seria necessária a realização de uma “licitação prévia” para o seu uso.
Eis um trecho do depoimento da ministra:
“Essa licença tem o problema de que não prevê remuneração, ainda não foi estudada essa forma. Existem sites que vendem e pagam; agora, a licença é gratuita. Então, temos que esclarecer que quem autorizar para a creative forms não vai receber, e até pode ver as diversas formas. Então nós temos que prever, sim. Na Constituição Brasileira já existe, é permitido, você pode autorizar de uma forma ou de outra. E se quiser, o autor pode autorizar para a creative forms. Não somos contra a creative forms; a creative forms é uma das formas que se utiliza. Os pontos futuros são muito usados em creative forms, porque eles gostam muito de compartilhar as suas produções. Então, eles trabalham com uma ferramenta muito útil. Agora, só estou falando que no site teve esse problema, porque, de uma certa forma, induzia ao uso de uma marca de uma entidade privada que oferece um serviço”.
Perguntada pelos senadores por que a página principal do Ministério da Cultura ostenta as logomarcas de três empresas comerciais e com fins lucrativos, casos do YouTube, do Twitter e do Flickr, a ministra deu a seguinte justificativa:
“Não aí é diferente. Twitter, Face são redes, as redes são livres para se comunicar, não é um serviço que está sendo oferecido, onde você se clica e entra na página, oferece...O Twitter, o Face são redes...tudo isso foi colocado, aliás, na gestão passada”.
Para o sociólogo Sérgio Amadeu, conhecido por seu envolvimento com causas relacionadas ao software livre e liberdade na rede e crítico ferrenho da medida adotada pelo MinC, fez coro ao questionamento feito com relação a não retirada dessas três marcas. Considera uma incoerência do ministério e da ministra.
“O ministério tinha um plano de cultura digital e ouve um desmonte na atual gestão. Ela diz que o Creative Commons é uma marca, mas no próprio site do MinC eles mantiveram Wordpress, Twitter, YouTube e Flickr. No senado, ela não conseguiu explicar porque deixa outras marcas americanas no site. Além disso, você vê a licença Creative Commons em sites do governo, como o blog do Planalto. Um blog assim é um instrumento oficial”.
“Essa medida mostra um retrocesso muito grande em relação às políticas de compartilhamento de conteúdo, de conhecimento e de incentivo à política de internet, que estavam caminhando bem na gestão do ministro Gilberto Gil”, acrescenta Amadeu.
Referencias:
Matéria completa da INFO Exame de Abril de 2011: http://info.abril.com.br/noticias/mercado/minc-explica-retirada-do-creative-commons-28042011-33.shl
http://www.culturalivre.org.br/wp/pt/2011/05/02/o-creative-commons-brasil-e-um-projeto-sem-fins-lucrativos-que-disponibiliza-licencas-flexiveis-para-obras-intelectuais/
http://www.creativecommons.org.br